O problema de Deus é a fã base

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Eu fui coroinha, me crismei, participei do coral da igreja e a porra toda dessa convenção que uma família religiosa empurra pra gente. Pelo valor humano e cultural, sim, aprendi muito com a igreja. Mas mais ainda quando me livrei da mordaça a que me submetia e decidir enxergar o mundo fora dela.

Apesar de respeitar, eu nunca fui, de fato, religioso. Sempre questionei a natureza divina das coisas (especialmente se seria condenado por ser gay). Mas tem uma coisa em especial que a religião me proporcionou: a fé em Deus.

Deus, pra mim, é um bróder, tipo aquele amigo a quem eu recorro quando tô na merda e não quero falar pra ninguém. Desde que passei a enxergá-lo como aquele amigo hétero ~sem preconceito~ e pertencente ao Vale, eu converso com Deus numa boa sempre que tô na pior. Talvez ele me ache bem egoísta mas, em todas as vezes em que o recorri, tudo acabou se ajustando. É claro que eu não tenho nada contra quem é religioso e “até tenho amigos que são” mas eu não. Às vezes eu até faço umas orações, agradeço quando acontece algo que me deixa feliz, como uma espécie de dízimo. Procuro Deus mas não sou religioso, e ele sabe disso.

Os ditos “religiosos”, no geral, recorrem a Deus por qualquer coisinha, o que eu particularmente acho uma ofensa a Ele, à pessoa e ao seu próprio cérebro. Como vocês não conseguem perceber que o problema não é Deus, o problema é a fã base. Vocês precisam rever suas interpretações do evangelho e entender o significado literal das coisas ensinadas por ele, se não Deus vai achar que você é um bunda-mole do caralho que não vai passar pelo fundo de uma agulha, muito menos entrar no céu.

Chegaram a dizer que Deus me mandaria pro inferno. Um colega meu, conservador babaca, dizia que um dia eu iria me “converter”. O coitado – o colega e não Deus – só pregava a exclusão e quase nunca compartilhava os ensinamentos dEle. Eu obviamente fazia questão de alfinetá-lo sempre que podia e compartilhava as coisas mais absurdas possíveis (pra ele) só pra ele sentir ainda mais acuado. “Tu viu a trans crucificada na parada LGBT? Genial!”, “Olha esse Jeans Wyllys, cara, muito foda!”, “Quem curte Bolsonaro é acéfalo”. Dizia tudo isso imaginando como ele devia ficar puto lendo.

Ok, foi só pra fazer raivinha mas… quem manda não levar Deus e a sério? E ele ainda por cima zoava os meus amigos ateus. Uma pena, perdeu de fazer ótimas amizades. A minha, inclusive. E, se no dia do juízo final, Deus realmente existir, vai ter que deixar sua fã base  por aqui. Sugiro fazer um Facebook pra ver o que eles andam postando.

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